Perfume – O que está no ar

Perfume – O que está no ar

 

Neste artigo falaremos do papel dessa ciência na busca e no desenvolvimento de substâncias aromáticas. Ela parte da origem histórica do perfume e vai até a intrigante maneira pela qual o nosso corpo interpreta os mais diferentes odores.

 

O perfume, de origem longínqua e incerta, move hoje uma grande indústria. Junto com cosméticos e itens de higiene pessoal, a perfumaria mobilizou em 2008 R$ 24,54 bilhões. Tudo isso graças aos avanços na química.

 

Não se sabe ao certo quando surgiu o conceito de perfume, cuja palavra deriva do latim per fumun ou pro fumun, que significa ‘através da fumaça’. Mas a história da perfumaria parece ter se iniciado antes das civilizações mesopotâmicas, consideradas o berço da humanidade e nas quais foram descobertos os primeiros recipientes para o acondicionamento de incensos, a versão inicial dos perfumes.

Em registros da Idade da Pedra, observa-se a presença de colares ornamentais, estatuetas femininas e pinturas rupestres com o uso de corantes, que ressaltam a importância da mulher como o ser da fertilidade e da beleza. No Neolítico – entre 7 mil e 2,5 mil a.C., no fim da Idade da Pedra –, o cultivo da terra, o desenvolvimento da cerâmica e o uso dos metais são indícios de que o ser humano se fixou e passou a viver ao redor da família.

De caçador nômade, foi alçado a ser coletivo, condição que exigiu dele se apropriar da racionalidade e de outras capacidades e estratagemas para conquistar o espaço comum. Nesse contexto, é razoável imaginar que os humanos fizeram uso da natureza não só para se alimentar e manter a prole, mas também com fins mais utópicos.

A história da Antiguidade revela que os materiais relacionados à perfumaria serviam a fins religiosos, bem como ao embelezamento e à alimentação, além de serem empregados para tratamento da saúde.

 

Rumo aos deuses

As primeiras sociedades da Mesopotâmia compreendiam que queimar incensos lhes facilitaria o caminho à vida eterna. A fumaça liberada pela queima de resinas, exsudatos, cascas e outras matérias orgânicas era a via de contato entre os humanos e os deuses, a quem eram oferecidas oferendas.

 

 

Em fragmento da decoração de um túmulo egípcio, observa-se a fabricação de perfume de lírio. As primeiras sociedades da Mesopotâmia compreendiam que queimar incensos lhes facilitaria o caminho à vida eterna. (fonte: Louvre)

Há décadas, sabemos que a fumaça tem uma composição química complexa, em que diversas substâncias estão presentes conjuntamente no estado sólido e gasoso. Por estar envolta no ar quente, a fumaça sobe e se dissipa lentamente, até sumir frente a nossos olhos. Assim, parece que o ser humano antigo acreditava que esse material volátil continuaria a subir sempre, chegando aos deuses, e que seria capaz de acompanhar a alma aos céus.

 

Parece que o ser humano antigo acreditava que a fumaça continuaria a subir sempre, chegando aos deuses

Mas o uso do calor sobre o material vegetal não se limitou à queima e teve grande impacto histórico na comercialização das ervas aromáticas e medicinais, gerando um dos negócios mais lucrativos da humanidade. A secagem controlada de partes das plantas estende a vida útil delas, o que permitiu a comercialização a longa distância, com implicações na disputa de territórios e nas grandes guerras.

Homens e mulheres perfumavam os ambientes e a si mesmos, enquanto esses materiais eram usados no combate às doenças e na conservação dos alimentos. Hoje, sabemos que essas aplicações se devem às propriedades antimicrobianas de várias substâncias químicas naturais, por meio das quais as plantas se defendem do ataque de invasores.

 

Perfume nos dias de hoje

O perfume atualmente remete a sofisticação e tecnologia levando a um alto nível de consumo no mundo, e em especial o Brasil que está entre os 5 maiores consumidores de perfume do mundo. Com uma infinidade de grifes e fragrância as opções são inúmeras e os consumidores são conquistados principalmente pelas campanhas de marketing que transmitem os conceitos da griffe, bem como belos frascos que igualam os perfumes a verdadeiras joias.

 

Frasco de perfume 1 million da Griffe Paco rabanne.

Famílias aromáticas

Amadeirados: os aromas amadeirados, como o próprio nome já deixa pista, recorrem às melhores madeiras para produzir aromas cheios de personalidade. Todavia, somente madeiras de luxo como o sândalo, o pinheiro selvagem e o cedro do Líbano conseguem atribuir ao perfume amadeirado características tão particulares como sua consistência e durabilidade. Algumas resinas balsâmicas nobres, como a mirra e o incenso, unem-se a este grupo, cujos aromas não podiam ser mais sedutores. Resultam em melhor performance quando combinados com os cítricos e os florais, podendo ser utilizados tanto em perfumes femininos como masculinos.

Chipre: esta família aromática carrega em si algumas peculiaridades. Seu nome inspira-se num famoso perfume de 1917, conhecido como “Cypre” criado por François Coty. Sua identidade é formada por traços singulares, que unem notas quentes e frias, extraindo o que há de melhor em cada uma delas, resultado da justaposição inovadora de notas cítricas com notas mais concentradas, que nos remetem à essência da terra, como madeiras e musgo, inovando assim, as referências olfativas do universo da perfumaria.

Fetos: esta categoria aromática presente, principalmente, nas mais tradicionais fragrâncias masculinas, está associada a aromas mais limpos e puros, isso está relacionado à própria origem do seu nome, oriundo do termo francês “fougères”, nome próprio de uma planta que curiosamente, pasmem, praticamente não tem cheiro! Neste sentido os aromas fetos buscam resgatar e reavivar o frescor das plantas herbáceas e das ervas, em nossa memória olfativa, relembrando o essencial da vida.

Orientais: a família das fragrâncias orientais vai buscar nas especiarias sua matéria-prima para nos proporcionar as mais intensas e exóticas experiências olfativas, tendo como base, para isso, a junção de especiarias como canela, anis, pimenta, baunilha e tantas outras, com aromas florais. Algumas essências como o musk, o almíscar, o âmbar e até algumas de origem animal, chegaram a ser há alguns anos, nota dominante nos perfumes orientais, mas o encarecimento destes produtos, pela sua raridade e seu caráter luxuoso, impulsionou os perfumistas a buscarem novas alternativas, mais econômicas e que pudessem reproduzir a singularidade destas essências. E foi assim que encontraram as “moléculas sintéticas equivalentes”, que permitem reproduzir qualquer aroma!

 

Categorias

  • Eau Fraiche (água doce): com concentração de 1% a 3% de óleo de perfume em álcool e água. Versão mais diluída da fragrância, dura menos de uma hora.
  • Eau de Cologne (colônia): com concentração de 2% a 4% de óleos de perfume em álcool e água, duração de cerca de 2 horas. Termo mais antigo para perfume.
  • Eau de Toilette (água de banho): Com concentração de 5% a 15% de essência de perfume dissolvida em álcool, duração de cerca de 3 horas.
  • Eau de Parfum (perfume): Com concentração de 15% a 20% de essência pura de perfume, duração de cerca de 5 a 8 horas.

 

 

Este foi um pequeno fragmento da rica história do Perfume e suas características especiais. Esperamos que goste!

 

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